sábado, 3 de maio de 2014

A Cigana





Há certas coisas que, como diz meu filho, só acontecem comigo. Dia desses estacionei o carro no Conjunto Nacional e após pagar algumas contas por lá resolvi ir ao CONIC para providenciar minha renovação da carteira de motorista uma vez que já estava me aproximando dos 60 anos.

No trajeto entre os dois edifícios costumam ficar alguns ciganos  oferecendo panos de prato e ao mesmo tempo “arrecadando alguns impostos” com a leitura das mãos dos transeuntes.

Já estava quase chegando ao CONIC quando percebi uma senhora magrinha andando apressadamente em minha direção quase gritando e fazendo gestos. Dizia ela que precisava ler minha mão, pois iria acontecer alguma coisa muito importante em minha vida e que, inclusive, poderia ser algo muito grave. Retruquei para ela que estava com pressa e que não tinha tempo. Ela me disse para não fazer isso e que era algo realmente relevante  e que se eu não a atendesse iria me arrepender com certeza. A insistência foi tamanha que eu comecei a ceder aos caprichos daquela senhora.

Ai eu disse para ela:

- Está bem, mas eu não tenho dinheiro para lhe dar não!

Ela não gostou muito, mas  acrescentou:

- Não precisa se preocupar com dinheiro não moço. Eu só quero é ler sua mão.

Respondi:

- Esta bom, mas veja logo o que vai acontecer, pois dependendo eu decido se a pressa aumenta ou se relaxo de uma vez.

Ela pegou minha mão – olhou, limpou, fechou os olhos, pegou um pano  sujo e limpou minha mão, tornou a fechar os olhos e, de repente, me perguntou:

- Você é de onde?

- Do Maranhão.

Ela me indagou de novo:

-  Mas nem R$5,00 o senhor tem?  

Eu retruquei:

- Eu falei que não tinha dinheiro. E me despache logo moça que eu estou com pressa.

Percebi que o semblante dela ficou um pouco vermelho quando ela viu que não ia tirar dinheiro de mim e então eu acho que ela resolveu se vingar.

Ela me perguntou em tom firme:

- Você é de onde mesmo?
- Maranhão.

Ela então mandou essa:

- Bem que eu estou vendo, pois na realidade mesmo eu não vejo futuro nenhum na sua mão não.

Comecei a rir  e ela me deixou e saiu me xingando em uma língua estranha. Agora me responda, se fores capaz: porque num universo de tanta gente ela veio correr logo atrás de mim?  até hoje eu questiono.

Acho que fui escolhido por minha cara de otário.