quinta-feira, 4 de março de 2010

Chuva de azeitona




Eu não sei se você já foi ao Paraguai. Se não foi, meus parabéns, mas se já foi e comprou uma balde de azeitona no lado argentino, então sinto muito amigo, acho que se tu não te consideras um otário eu posso afirmar: tu podes não ser, mas tens alvará.

Aconteceu comigo lá pelos anos de 1980. Naquele tempo o brasileiro quase não podia consumir nada, tínhamos uma economia fechada e nossa única chance de consumir alguma coisa diferente e mais ou menos barata era achar alguém que trouxesse do Paraguai ou de Manaus.

Vamos ao que interessa. Numa mesa de cerveja de sexta-feira meu amigo Helio me convenceu que irmos a Foz do Iguaçu era uma boa e que o ônibus partiria no sábado seguinte e que se eu não gostasse pelo menos era uma aventura e tanto.

Confesso que o que mais me atraiu naquela estória era conhecer o estrangeiro e que se nada desse certo pelo menos, na minha cabeça de maranhense recém pegado no laço, eu poderia dizer que conhecia o estrangeiro.

Foi uma viagem cansativa, mas divertida e quando eu cheguei lá o meu amigo Helio só queria ficar no hotel tomando cerveja e uísque que lá era barato. Como eu não curto muito beber fui averiguar as novidades com a Eugenia, namorada dele. Foi nosso primeiro contato com os chineses e um deles mandou logo a moça “tomar na ..” porque ela perguntou o preço de um relógio e não quis comprar.

Chequei ao hotel reclamando daquele povo mal educado, tendo comprado uma caixa de ferramentas que está até hoje novinha lá em casa e um dia ainda vou descobrir pra que ela serve! Bem, mas me falaram que no outro dia nos iríamos para a Argentina e que lá era que nem a Europa .... só gente fina,,,,,, educadíssima.

Naquela época não tinha ponte e tínhamos que atravessar o rio de barco sendo a topografia do lado brasileiro era bem íngreme. Tínhamos que descer uns 80 degraus para chegarmos ao nível do rio – a barranca era bem alta mesmo. Chegando ao lado argentino comprei logo um perfume verde que estavam todos comprando e umas bisnagas de rayto de sol ou coisa parecida, mas todo mundo tava comprando, comprei também... ora.

Todo mundo estava comprando também um balde de azeitona de mais ou menos uns 3 kg.

E PARA MEU AZAR EU TAMBÉM COMPREI UM :-( dãannnnn ....

Comecei a caminhar com aquele “aranzé” e depois de uma hora mais ou menos o infame já estava pesando pra lá de 10 kg só que ele tinha uma alcinha de plástico e parece que ela estava com defeito pois quando eu caminhava ele emitia um som assim: henq ..... henq.....henq.

Ooooooohhhh arrependimento! Quando eu já estava quase decidindo esquecer o tal balde de azeitona em algum lugar o guia anunciou que era hora de voltarmos.
- Graças a Deus! Entrei no barco e me sentei com aquela “mundiça” no meu pé – pelo menos eu daria um descanso para o meu braço.

Quando eu ia me aproximando do lado brasileiro é que eu me lembrei da tal escada,... Mas para quem já tinha sofrido o dia todo uma escada mais não ia matar não né! Ainda mais que eu já tinha descansando durante a travessia,,,,,,,,, deixa que vai. Quando o barco chegou eu peguei meus perfumes azuis e meu rayto de sol e me atraquei com as azeitonas e parti para o último sacrifício, sendo um dos primeiro a saltar e começar a subir para ver se acabava logo com aquele tormento.

Rapaz quando eu comecei a subir aquele henq henq parecia que tinham colocado mais um r nele soava mais ou menos assim HRRENC ... HRENC . Eu dei uma olhadinha nele e não vi nada errado e apertei a toada para me ver livre daquilo logo. Pois se lembre que eu falei que a escada tinha mais ou menos 80 degraus... Pois é quando eu estava mais ou menos nos 60 a alça do balde quebrou e ele bateu na quina do degrau e haja chuva de azeitona e salmoura para os companheiros que vinham atrás.. Meu amigo.... eu imagino que os vinham no começo da escada tomaram umas azeitonadas misturadas com salmoura a mais de 100 km/hr.

Foi um xingamento geral e eu ainda tentei me explicar para os que estavam mais perto ..... foi quando o Helio me pegou e me escondeu no banheiro para eu não ser linchado. Depois de mais ou menos uma hora eu sai de lá ”discunfiado” e nunca tive tanta vontade de rir sem poder.... Tinha gente com cada “gondó” na testa que aparecia até o franzido da azeitona ....e com uma sede de vingança e sangue que só eles... . Depois de 01 hora ainda era só o que se falava no boteco do lado brasileiro. Comentavam – “Era ser muito fiii dua egua um sujeito desses” Doidos para saber quem tinha feito aquilo.
Paraguai nunca mais.......

Um comentário:

Sílvia Souto disse...

Flávio, só você mesmo.....kkkkkkkk adoro "seus causos", escreva sempre, com certeza você tira boas risadas de todos....Abração, Silvia Souto.