sábado, 3 de maio de 2014

A Cigana





Há certas coisas que, como diz meu filho, só acontecem comigo. Dia desses estacionei o carro no Conjunto Nacional e após pagar algumas contas por lá resolvi ir ao CONIC para providenciar minha renovação da carteira de motorista uma vez que já estava me aproximando dos 60 anos.

No trajeto entre os dois edifícios costumam ficar alguns ciganos  oferecendo panos de prato e ao mesmo tempo “arrecadando alguns impostos” com a leitura das mãos dos transeuntes.

Já estava quase chegando ao CONIC quando percebi uma senhora magrinha andando apressadamente em minha direção quase gritando e fazendo gestos. Dizia ela que precisava ler minha mão, pois iria acontecer alguma coisa muito importante em minha vida e que, inclusive, poderia ser algo muito grave. Retruquei para ela que estava com pressa e que não tinha tempo. Ela me disse para não fazer isso e que era algo realmente relevante  e que se eu não a atendesse iria me arrepender com certeza. A insistência foi tamanha que eu comecei a ceder aos caprichos daquela senhora.

Ai eu disse para ela:

- Está bem, mas eu não tenho dinheiro para lhe dar não!

Ela não gostou muito, mas  acrescentou:

- Não precisa se preocupar com dinheiro não moço. Eu só quero é ler sua mão.

Respondi:

- Esta bom, mas veja logo o que vai acontecer, pois dependendo eu decido se a pressa aumenta ou se relaxo de uma vez.

Ela pegou minha mão – olhou, limpou, fechou os olhos, pegou um pano  sujo e limpou minha mão, tornou a fechar os olhos e, de repente, me perguntou:

- Você é de onde?

- Do Maranhão.

Ela me indagou de novo:

-  Mas nem R$5,00 o senhor tem?  

Eu retruquei:

- Eu falei que não tinha dinheiro. E me despache logo moça que eu estou com pressa.

Percebi que o semblante dela ficou um pouco vermelho quando ela viu que não ia tirar dinheiro de mim e então eu acho que ela resolveu se vingar.

Ela me perguntou em tom firme:

- Você é de onde mesmo?
- Maranhão.

Ela então mandou essa:

- Bem que eu estou vendo, pois na realidade mesmo eu não vejo futuro nenhum na sua mão não.

Comecei a rir  e ela me deixou e saiu me xingando em uma língua estranha. Agora me responda, se fores capaz: porque num universo de tanta gente ela veio correr logo atrás de mim?  até hoje eu questiono.

Acho que fui escolhido por minha cara de otário.  

domingo, 23 de março de 2014

O Batata






 
O nome de batismo dele mesmo eu acho que nem ele lembrava mais. Era um sujeito muito engraçado com mais ou menos 1,90 m de altura e uns 130 Kg e quando o conheci ele fora contratado por uma terceirizada de um banco onde trabalhei por muitos anos.

Era um dos melhores cabistas que telefonia que conheci durante a minha  jornada de engenheiro eclético. Era comunicativo cheio de histórias, acabara de ser demitido de uma estatal do ramo de telefone e ainda possuía muitos contatos lá dentro. Vira e mexe ele aparecia lá no DEPRO com alguns telefones de última geração, desviados daquela empresa, nos oferecendo a preços módicos sempre  com a afirmação de que estava ganhando a vida honestamente.  Assim, foi a primeira pessoa das muitas que conheci em Brasília que "roubava honestamente", pois se era do poder público e era só um desvio.... um mal menor.

Como eu era  engenheiro mecânico  recém formado e não sabia praticamente nada de telefonia eu me deliciava em aprender as novas técnicas de blocos de corte e etc. Ele era, também, um bom conselheiro. Certo dia eu cheguei ao trabalho falando que queria adotar um filho e ele logo me aconselhou – ‘’Não faz isso não cara ... Você tem a vida tão boa e com uma criança só vai complicar tua vida. Você leva ela para chácara ela cai no buraco ... vai lhe tirar o sossego.  Eu logo retruquei : mas la na minha chácara não tem buracos não . E ele treplicou: “ mas ele cava e cai``.

Já com mais experiência fui resolver um grave problema de comunicação no PAB HRC e adivinhe quem foi o cabista que escolhi para resolver  tão delicada situação : o melhor... o Batata. Chegamos ao Hospital da Ceilândia por volta das 14: 00 e após alguns testes resolvemos passar outro cabo, pois o existente estava muito desgastado e quase não existiam mais pares disponíveis.  Tentamos passar um fio guia e não conseguimos então resolvemos puxar o cabo existente para usa-lo com guia.

Rapaz!!!! Quando eu fiz uma canga para forçar o cabo geral do hospital o cabo de 60 pares que atendia a todos os setores daquela unidade de saúde ele estava tão podre que  se rompeu e deixou todo  mundo sem comunicação e sem telefone...... E o pior estava por vir, o DG (quadro geral de telefone)  foi projetado por outro filho da mãe e era localizado dentro do centro obstétrico do hospital.

Tivemos que vestir aquelas roupas verdes, isolar as botinas e  enrolar o Batata em lençóis pois não existia roupas esterilizadas do tamanho dele.  Trabalhar num stress daquele foi  desesperador. Toda hora vinha um médico, ou administrador do hospital, ou chefe da enfermaria nos passar uma descompostura. Tem um amigo que afirma que  todo médico quando esta  fazendo o curso acha que é Deus e depois de formado,   tem certeza. Pense numa arrogância e ainda mais com razão!!!!

Quando começamos a trabalhar protegidos apenas por um biombo das salas de parto começou a nascer gente. Para nós que não estávamos sentindo a dor do parto era muito engraçado o comportamento das senhoras ao darem a luz.  Tinha umas que apelavam para Deus e juravam nunca mais engravidar.... Tinha outras que xingavam  o médico  esbravejando e jurando  que iam dar uma facada nele se ele não tirasse o dedo do seu/sua ...  Eu sei  era que tinha hora que estávamos todos de pescoço comprido a  espiar por trás do biombo para ver os acontecidos e a médica nos olhava com olhar de censura  e nós apressadamente voltávamos a trabalhar.                         

Eu que não sabia crimpar os cabos resolvi contabilizar os nascimentos e a observar os procedimentos da médica a partir das 03:00 PM e me senti pequenininho comparando meu trabalho com o dela. 

Mas uma coisa me chamou a atenção. Era mês de junho e em Brasília,  o mês das temperaturas mais baixas. A médica pegava a criança que acabara de nascer, encolhidinha de frio, pois saíra de uma temperatura bem mais alta da barriga da mãe e passava para a enfermeira que fazia alguns procedimentos de limpeza e identificação: A criança que vinha encolhida começava a relaxar e ia espichando  até atingir seu tamanho normal. Então era levada a uma balança com prato em inox e tomava outro choque térmico reduzindo seu tamanho em pelo menos 40 % novamente.

Assim, nesse samba do estica e puxa, quando amenizamos a situação do telefone o Batata perguntou quantas crianças tinham nascido, eu respondi 17, com as mais variadas matizes e rações. O otário aqui a fazer o seu censo particular de quantas crianças são necessárias para trocar um cabo telefônico de 60 pares.

 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

quinta-feira, 4 de março de 2010

Chuva de azeitona




Eu não sei se você já foi ao Paraguai. Se não foi, meus parabéns, mas se já foi e comprou uma balde de azeitona no lado argentino, então sinto muito amigo, acho que se tu não te consideras um otário eu posso afirmar: tu podes não ser, mas tens alvará.

Aconteceu comigo lá pelos anos de 1980. Naquele tempo o brasileiro quase não podia consumir nada, tínhamos uma economia fechada e nossa única chance de consumir alguma coisa diferente e mais ou menos barata era achar alguém que trouxesse do Paraguai ou de Manaus.

Vamos ao que interessa. Numa mesa de cerveja de sexta-feira meu amigo Helio me convenceu que irmos a Foz do Iguaçu era uma boa e que o ônibus partiria no sábado seguinte e que se eu não gostasse pelo menos era uma aventura e tanto.

Confesso que o que mais me atraiu naquela estória era conhecer o estrangeiro e que se nada desse certo pelo menos, na minha cabeça de maranhense recém pegado no laço, eu poderia dizer que conhecia o estrangeiro.

Foi uma viagem cansativa, mas divertida e quando eu cheguei lá o meu amigo Helio só queria ficar no hotel tomando cerveja e uísque que lá era barato. Como eu não curto muito beber fui averiguar as novidades com a Eugenia, namorada dele. Foi nosso primeiro contato com os chineses e um deles mandou logo a moça “tomar na ..” porque ela perguntou o preço de um relógio e não quis comprar.

Chequei ao hotel reclamando daquele povo mal educado, tendo comprado uma caixa de ferramentas que está até hoje novinha lá em casa e um dia ainda vou descobrir pra que ela serve! Bem, mas me falaram que no outro dia nos iríamos para a Argentina e que lá era que nem a Europa .... só gente fina,,,,,, educadíssima.

Naquela época não tinha ponte e tínhamos que atravessar o rio de barco sendo a topografia do lado brasileiro era bem íngreme. Tínhamos que descer uns 80 degraus para chegarmos ao nível do rio – a barranca era bem alta mesmo. Chegando ao lado argentino comprei logo um perfume verde que estavam todos comprando e umas bisnagas de rayto de sol ou coisa parecida, mas todo mundo tava comprando, comprei também... ora.

Todo mundo estava comprando também um balde de azeitona de mais ou menos uns 3 kg.

E PARA MEU AZAR EU TAMBÉM COMPREI UM :-( dãannnnn ....

Comecei a caminhar com aquele “aranzé” e depois de uma hora mais ou menos o infame já estava pesando pra lá de 10 kg só que ele tinha uma alcinha de plástico e parece que ela estava com defeito pois quando eu caminhava ele emitia um som assim: henq ..... henq.....henq.

Ooooooohhhh arrependimento! Quando eu já estava quase decidindo esquecer o tal balde de azeitona em algum lugar o guia anunciou que era hora de voltarmos.
- Graças a Deus! Entrei no barco e me sentei com aquela “mundiça” no meu pé – pelo menos eu daria um descanso para o meu braço.

Quando eu ia me aproximando do lado brasileiro é que eu me lembrei da tal escada,... Mas para quem já tinha sofrido o dia todo uma escada mais não ia matar não né! Ainda mais que eu já tinha descansando durante a travessia,,,,,,,,, deixa que vai. Quando o barco chegou eu peguei meus perfumes azuis e meu rayto de sol e me atraquei com as azeitonas e parti para o último sacrifício, sendo um dos primeiro a saltar e começar a subir para ver se acabava logo com aquele tormento.

Rapaz quando eu comecei a subir aquele henq henq parecia que tinham colocado mais um r nele soava mais ou menos assim HRRENC ... HRENC . Eu dei uma olhadinha nele e não vi nada errado e apertei a toada para me ver livre daquilo logo. Pois se lembre que eu falei que a escada tinha mais ou menos 80 degraus... Pois é quando eu estava mais ou menos nos 60 a alça do balde quebrou e ele bateu na quina do degrau e haja chuva de azeitona e salmoura para os companheiros que vinham atrás.. Meu amigo.... eu imagino que os vinham no começo da escada tomaram umas azeitonadas misturadas com salmoura a mais de 100 km/hr.

Foi um xingamento geral e eu ainda tentei me explicar para os que estavam mais perto ..... foi quando o Helio me pegou e me escondeu no banheiro para eu não ser linchado. Depois de mais ou menos uma hora eu sai de lá ”discunfiado” e nunca tive tanta vontade de rir sem poder.... Tinha gente com cada “gondó” na testa que aparecia até o franzido da azeitona ....e com uma sede de vingança e sangue que só eles... . Depois de 01 hora ainda era só o que se falava no boteco do lado brasileiro. Comentavam – “Era ser muito fiii dua egua um sujeito desses” Doidos para saber quem tinha feito aquilo.
Paraguai nunca mais.......

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Plantando Tomates



Como bem diz o meu amigo Mário: Moço....moço.... Você já fez besteira demais....

Certo dia eu estava descansando em uma rede na minha chácara quando apareceu um sujeito, menor do que eu ainda, perguntando se eu não gostaria de plantar tomates com ele na meia. Eu fiquei imaginando como é que se plantaria tomate numa meia????????

Perguntei como ele se chamava. Ele respondeu: - Grilo

Cocei minha cabeça e achei que estava sonhando: “plantar tomates na meia com um grilo”...... Mas não sou homem de se assustar com vôo de nambu e resolvi esticar mais o papo solicitando que ele me explicasse mais o que queria mesmo.

Ele me explicou que minha chácara era muito boa para o plantio da hortaliça e que caso eu concordasse em fornecer o adubo e a semente ele entraria com a mão-de-obra e quando vendêssemos a colheita eu retiraria tudo que tinha gasto e dividiríamos os lucros. Gostei da sua proposta, mas ainda ficou uma pulguinha atrás de minha orelha: plantar tomates com um grilo???????

Busquei informações com os agricultores e fui informado que o tal grilo “era bom no trem mesmo”. Comprei logo um Tobata, uma rede de irrigação e grilo começou a trabalhar que nem um louco. O homem era realmente uma formiga para trabalhar e com mais ou menos 90 dias chegou a época da colheita. A lavoura estava linda e para nossa sorte não tinha tomate na praça.

Começamos levando 20 caixas de tomates da Ceilândia. Pesquisei e me informei que tinha pouco tomate na praça e o pessoal do Ceasa me aconselhou a experimentar um preço de R$ 12, 00, o dobro do preço usual do produto. Chegamos à feira por volta de 4h30min da madrugada e lá pelas 5h00 já tínhamos vendido tudo e todo mundo doido pelo nosso tomate.

Na próxima ida, três dias depois, eu metido a muito sabido já subi o preço para R$ 18,00. Aconteceu a mesma coisa. Levamos 70 caixas e vendemos em menos de uma hora e já fomos para casa dormir e com o dinheiro quentinho no bolso.
Na segunda-feira seguinte caprichamos na colheita (140 caixas) e resolvi testar o preço de R$ 24,00. Não deu pra quem quis. Acordamos às 4h00min e quando deu 6:00 e já estava com mais de R$ 3.000,00 no bolso, numa alegria que só tico-tico no fubá.

Naquela época eu trabalhava em um banco onde ganhava mais ou menos esta quantia e já estava imaginando: Ora, se no banco eu demoro 1 mês para ganhar o que eu ganho em uma noite, eu vou virar é plantador de tomates !!!!!

A lavoura foi diminuindo e ao fazermos a contabilidade nos sobrou realmente uma grana superior ao ano de trabalho no referido banco.

Mas, mesmo não sendo mineiro eu aprendi muito com meus amigos que são em sua maioria das terras de JK, resolvi fazer mais uma plantação para ver se o negócio era “bão memo”.

Resolvi plantar 20.000 pés, o dobro da lavoura anterior. “Minino do céu!”. Para começar, quando a lavoura estava com mais ou menos 2 meses, já com a primeira desbrota roubaram toda a minha encanação. Nessa época eu já estava mais enturmado com a área, verifiquei o preço do tomate e realmente não passava de R$ 8,00, fiz conta e mais contas e resolvi arriscar. Comprei nova tubulação e cheguei as esporas no grilo.

Já estávamos nos preparando para colheita quando num domingo o grilo me acordou apavorado me informando sobre a infestação da temida mosca branca no tomatal. Eu não conhecia a real gravidade, mas pelo apavoramento do cara eu vi que a coisa era séria. Mas sério mesmo eu fiquei quando soube o valor do veneno para combater a tal mosca e a freqüência que ele deveria ser aplicado.

Voltei para casa sério que parecia que estava cagado e para resumir a lavoura mal cobriu os custos e ainda tive de comprar cestas básicas para a família do grilo, pois não podia deixá-lo passar fome.

Foi aí que eu descobri que ser agricultor nesse país é coisa de otário e o meu sucesso inicial era só alegria de pato e para pegar otário como eu que por pouco não entrei nessa.

sábado, 25 de agosto de 2007

Otário as avessas




Essa eu fiquei com cara de otário porque era para eu ter saído de otário e acabei por não sair e até hoje não sei o porquê, entendeu? Vou explicar.

Todo pescador que se preza tem uma lanterna de cabeça e quem levou essa novidade para as bandas do Tocantins, lá no Guaraí, foi meu primo Machado o qual foi logo invejado e imitado por todos os outros de tão boa que foi a idéia.

Aconteceu na feira do Paraguai.

Certo dia eu cheguei lá na barraca do Estácio e tinha um casal acompanhado de sua filhinha, uma menina linda e pequena, mais ou menos uns 12 anos e ela estava com uma das lanternas de cabeça, igualzinha a minha, pedindo ao vendedor que a consertasse e o cara não lhe dava atenção, e só de vez em quando dizia: tem jeito não!!!!!!!

Aí eu, com minha mania de tudo-nessa-vida-tem-jeito perguntei qual o defeito e ela me disse simplesmente que não estava acendendo. Eu me lembrei que na minha lanterna tinha uma lâmpada sobressalente e dei daquela deixa-que-eu-conserto-pra-você.
Ela retrucou – O senhor sabe consertar?
Eu disse todo metido a importante e confiado na lâmpada sobressalente:
- conserto.
Quando abri a lanterna e procurei o tal “foquite” sobressalente. Que decepção. A lanterna dela não tinha.

Rapaz, me deu vontade de entrar no chão e evidentemente todo mundo percebeu minha cara de decepção. Pensei na decepção da menina e refleti: Flávio tu tens que parar de entrar em fria de graça. Aí ... e agora? Bom ... é só fechar a lanterna e devolver para a menina sem funcionar mesmo, fazer o quê né? A gente não tem que ganhar todas na vida, de vez em quando a gente tem mesmo que sair com a cara grande. Não será a primeira vez que vou passar por otário né ???

Automaticamente comecei a remontá-la para devolver e qual não foi a minha surpresa quando terminei e a entreguei sem falar nada. A garotinha experimentou e a lanterna acendeu.

Acendeu! Simplesmente acendeu! Nem eu sei dizer como nem porque, mas a lanterna acendeu.
A menina arregalou os olhos de alegria e quase pulou no meu pescoço "nooooosssa !!! mas o senhor é bom nisso mesmo o senhor é demaaaais!"

Aí eu tomei um fôlego longo e imaginei: demais não, mas sou 100% mais ou menos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O Hamster


Essa é dos tempos em morávamos no CO (Centro Olímpico ) da UNB. Naquela época morava, no alojamento eu, Bolão, Natal, Milton e mais dois que agora não me lembro.

O Bolão fazia Biologia e era dado a levar alguns animais para fazer experiência chegando, as vezes a sacrificá-los lá no alojamento. Até que um dia ele levou um filhote de hamster muito esperto em uma caixa de sapatos, este chegou lá muito pequeno e todos nós fomos nos compadecendo dele aos poucos: acariciávamos, dávamos comida e etc. e ele foi ficando e aos poucos conquistando seu espaço no apartamento.

O animalzinho foi crescendo, percebemos que ele nos conhecia, quando chegávamos em casa ele logo saía de seu esconderijo e subia por nossas pernas de calças e começava a caminhar na mesa e fazer graças com nossos livros e cadernos, bastava que alguém o desse um pouco de atenção que ele já virava a barriga para coçarmos. Logo, logo se tornou o xodó da turma e todos nós o adorávamos ao ponto de não se importar com suas travessuras de roer nossos livros e cadernos de vez em sempre e termos que limpar suas sujeiras.

Ele era, realmente, muito inteligente e se chegasse gente estranha acompanhando um de nós, ficava na sua toca até o cara ou a cara ir embora e, principalmente à noite ele passava o tempo todo zanzando pelo alojamento. Durante o dia ele era mais ausente e só aparecia de vez em quando.

Acho que eu era um de seus favoritos até porque eu o tolerava mais e estava sempre disposto a compartilhar de suas travessuras. Durante o dia ele gostava de entrar no bolso de minhas jaquetas e lá ficar dormindo.

Pois foi justamente esse seu hábito que me deixou de saia justa e com cara de bobo no bandejão da universidade. Um dia cheguei no alojamento apressado para pegar um trabalho que tinha esquecido e o bicho entrou no bolso de minha jaqueta e eu o levei comigo sem saber.

Quando estava almoçando, eu acho que ele sentiu cheiro de comida e colocou a cabeça para fora de um bolso e na mesa que eu estava tinha uma boliviana muito doida que jogou a bandeja para cima e gritou que eu estava com uma cobra no bolso.

O bicho se assustou e pulou do meu bolso. E uma zona geral tomou conta do restaurante. Que confusão que foi para recapturar esse “rato”. Meninas em cima das mesas; tinham alguns valentões querendo matá-lo, outros do WWF defendendo-o e o bicho não me reconhecia mais e foi indo até que eu consegui que ele entrasse numa área mais restrita e voltar as camaradagem com ele, não sem antes levar uma mordida.

Agora pense na cara de otário que eu fiquei na UNB até todo mundo esquecer dessa “maçaroca”.



sábado, 18 de agosto de 2007

Inocência








Quem nasce para ser otário é um privilegiado e no tapinha da parteira ele sorri sem graça e dá um grito em vez de chorar.
Eu tenho quase certeza que aconteceu isso comigo.
Mas também nos torna grandes observadores da vida sem exigir muito dela e até hoje as pessoas me falam: “Rapaz tu não envelhece não é”????
É completamente diferente de ser babaca. Isso eu também já fui em minha adolescência, mas me deixava envergonhado e aos poucos fui aprendendo a ficar esperto.

Dentre as coisas que me fizeram grande observador da vida, uma delas foi a vida de bancário. Passei 28 anos dentro de um banco convivendo com os mais diferentes tipos de chefes num espectro que classifico de perfeitos idiotas até gênios; de cascas-grossas até “nerds” e “yuppies”.

Mas deixando de lado os “entretantos e indo para os finalmentes”, por lá chegou uma novidade da área de recursos humanos de promover palestras motivacionais e relacionamentos e, dentre elas, houve uma que falava sobre a inocência e o pior é que o consultor conseguia ganhar muito dinheiro com aquilo.

No meio de uma dessas palestras, levantando a tese de que devemos desarmar os espíritos, para ilustrar e justificar sua tese contou-nos uma estória de uma menininha que vivia em um sítio próximo a um bosque e todos os dias ela pegava parte de sua comida e adentrava ao bosque para alimentar animais silvestres.

Aconteceu que, em um dia de festa, o sitio recebeu uma grande quantidade de pessoas e lá pelas tantas a menina ia saindo com a comida para alimentar seu “amiguinho” quando um babaca resolveu segui-la o que foi feito, também, por outras pessoas da família.

Quando chegou à mata a garotinha enfiou a mão dentro de um cupim e, após alguns instantes acariciando alguma coisa lá dentro, retirou uma enorme cascavel e começou a alimentá-la ao mesmo tempo em que conversava com ela.

Foi um espanto geral. Todo mundo achou um absurdo o perigo que ela estava correndo e chegaram à conclusão de que deveriam matar a cobra, o que foi feito imediatamente.
Resultado a menina ficou maluca, ficou sem comer e com pouco tempo faleceu.

Bem o que tem isso a ver com minha condição de observador??
Acontece que eu achei aquilo muito bonito e, como tinha alguns problemas de relacionamento entre os peões na fábrica de pregos, resolvi logo no dia seguinte reunir meus funcionários e tentar incutir nas suas cabeças o tal do hábito de desarmar os espíritos.
Quando eu acabei de contar a história e falei que a menina tinha perdido o juízo, o Meota pulou lá longe e disse:

O QUE??? FICOU DOIDA COISA NENHUMA, ELA JÁ ERA DOIDA ANTES -MEXER COM COBRA O SENHOR É DOIDO SEU FRAVO.

A gargalhada foi geral e passei um bom tempo com cara de otário e toda hora que eu entrava no pátio da indústria era uma gozação só.

A “peãozada” parava de trabalhar e ficavam só rindo.....

Isso é ou não é coisa da otário ???

Poblema x Pobrema

Dentre as inúmeras besteiras que eu já fiz na vida, a maior delas foi montar uma fábrica de pregos junto com um grande amigo. Ele foi meu chefe em um banco e me viu como o bom companheiro para, como ele sempre falava, criarmos alguns empregos e, de quebra, ficar rico.

Mas, vicissitudes a parte, dentre nossos funcionários tinha o Sr. Antônio que em “priscas eras” tinha tomado tanta cachaça que os demais peões o chamavam de Antônio Meota, pois era dado a virar uma meia garrafa de “fubuia” de uma só golada.

Pois bem, o Meota era um funcionário muito competente, mas vira e mexe me vinha com algum problema familiar para resolver dizendo que tinha que se ausentar ou chegar mais tarde tendo em vista que se o mesmo não fosse resolvido imediatamente “morria gente”.
Chegava e dizia:
- Seu Fravo tenho um “poblema” em casa e preciso sair agora, pois senão Maria vai ter um enfarto.
- Patrão, tem um “pobrema” para resolver com minha filha amanhã e só posso chegar às 9h.

A palavra problema não existia no vocabulário dele não.

Alguém poderia me perguntar como é que eu agüentava isso.

É que mecânico de máquina de prego aqui em Brasília era difícil e o homem era competente quando estava na indústria.

Mas o leitor tem razão, chegou um tempo que eu já andava um tanto aborrecido com os problemas do Meota. Até que um dia me meti a engraçadinho e fiz a pergunta que me deixou com cara de otário.

Quando ele entrou em minha sala fui logo perguntando:

- Ô Meota me responde uma coisa: - Qual é a diferença de pobrema para poblema?

Ele me olhou assim como que decepcionado e retrucou. - O senhor “num sabe não”?

Eu engoli seco e disse: - Não

- Então vou lhe “expricar”: Pobrema Seu Fravo é da vida e poblema, aí é de “carcular”, ou seja de “matemática”.

Toma distraído!!!!!!!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Pérolas


Um parte ... o outro escolhe ...
 

 
 A vida é um sutiã ... tem que meter os peitos ...
 
 

 Contei minha história pro carroceiro ... até o burro chorou ...


Passarinho que anda com morcego ... acaba dormindo de cabeça pra baixo ....




O  sapo pula não é porque acha bonito ... o sapo pula porque precisa ...



sofrendo que nem bode comendo cansanção ...



Mente mais que bula de biotonico ...



Mais sério que menino cagado ...



Se você me ajudar, eu faço sozinho.



e se a namorada está longe ... o negócio é
partir pro mercado negro ou fazer justiça com as próprias mãos ...



Afinal, é fazendo merda que se aduba a vida ...



Eu só tenho medo mesmo é do mala men ...
por que?
porque minha mãe rezava assim: livrai-nos do mala men ...



Mãos pra cima num se bula ...
se se bulir vou fazer docê uma arupenba ...



Vou morrer solteiro, igual cachorro ... (essa ele pagou caro ahaaa)



- Flávio, eu estou com ciúmes dessa televisão ...
- Então eu vou comprar outra ...




 

domingo, 5 de agosto de 2007

Escolhendo a Profissão




Eu já nasci gostando de problemas.
Desde muito pequeno eu já me imaginava engenheiro.
Meu pai trabalhava como mecânico de uma indústria de extração de óleo babaçu, eu era fascinado pelo que ele fazia, e me imaginava seguindo a profissão dele.
O cara que escolhe essa profissão é um predestinado a resolver problemas seu e dos outros para o resto da vida. Se você é engenheiro, não importa a modalidade ( mecânico, civil, químico, agrônomo etc), não se preocupe, qualquer problema que acontecer em sua família, seja de fundação, estrutura, serralheria, troca de lâmpada, partos prematuros, vasos entupidos, socorro a um irmão sem gasolina, não importa, você será o primeiro a ser lembrado e todo mundo acha que é sua obrigação ajudá-los.
Lembro de uma historinha que ouvi pelos rincões do nosso lindo estado de Goiás quando um engenheiro estava fazendo a topografia de uma estrada que conta mais ou menos o seguinte:
“ O cara estava lá, ocupado com seu trabalho quando chegou um caipira e perguntou o que ele estava fazendo. E este respondeu.
- Estou demarcando o melhor caminho para construir uma nova estrada que passará por aqui.
O caipira retrucou – Uaii!! sô aqui nós num faz assim não.... Aqui nós sorta um burro e ele vai escoiendo o mior lugar de passar e com certeza esse é o mior camim pra nós fazer o trieiro, que dispois vira estrada.
Foi então que o engenheiro resolver fazer a pergunta mais besta da sua vida. – E se o burro não conseguir achar um caminho?
O caipira retrucou prontamente... Aí, num tem jeito.... aí nóis contrata um engenheiro”.

A estorinha acima acentua ainda um aspecto interessante de nossa profissão. Até ter o problema instaurado, todo mundo acha que não precisa de nós e que é perfeitamente possível construir qualquer coisa apenas com boa vontade e experiência.

É verdade que experiência conta muito, mas um engenheiro experiente conta muito mais.

Os chocalhos




Na fazenda onde morávamos no interior do Maranhão, meu pai vendia gado para a cidade de Caxias e alguns deles, para não se perderem, iam com chocalho no pescoço.
Quando eu tinha 10 anos de idade, um dia meu pai me mandou ir ao matadouro buscar alguns chocalhos que haviam ficado por lá.
Vinha eu tranquilo pelo caminho com os chocalhos na mão, logicamente fazendo o barulho típico, eram aproximadamente dez chocalhos, portanto o barulho era bem alto.
Algumas pessoas me olhavam com estranheza, mas como eu era criança não ligava para aqueles olhares.
Vi de longe um buraco bem grande e me aproximei com a curiosidade normal de uma criança.
Foi aí que saiu um sujeito de dentro desse buraco numa velocidade doida, assustado que nem olhou pra trás, focado em correr e correr. Fiquei parado olhando a cena do homem amalucado correndo e aí, claro, os chocalhos pararam de barulhar. O homem então se deu conta da situação e parou de correr, olhando pra trás e dando de cara comigo.
Rapaz, o homem voltou muito brabo, me xingando de tudo o que há.
Disse ele que pensou se tratar de uma boiada e que algum boi podia cair no buraco onde ele estava, por isso a correria.
Aí gente, quem se pôs a rir fui eu né?
E quanto mais eu ria, mais zangado o homem ficava, quanto mais o homem ficava zangado mais eu ria ...
Enfim, o buraco era para instalação de água em frente a uma casa e o rapaz era funcionário da companhia de água local e estava trabalhando, coitado.
Nunca esqueci isso, até hoje, com 53 anos, me lembro disso e começo a rir sozinho. Sempre que ouço barulho de chocalho me vem esse episódio à lembrança, só comigo mesmo!