sábado, 18 de agosto de 2007

Inocência








Quem nasce para ser otário é um privilegiado e no tapinha da parteira ele sorri sem graça e dá um grito em vez de chorar.
Eu tenho quase certeza que aconteceu isso comigo.
Mas também nos torna grandes observadores da vida sem exigir muito dela e até hoje as pessoas me falam: “Rapaz tu não envelhece não é”????
É completamente diferente de ser babaca. Isso eu também já fui em minha adolescência, mas me deixava envergonhado e aos poucos fui aprendendo a ficar esperto.

Dentre as coisas que me fizeram grande observador da vida, uma delas foi a vida de bancário. Passei 28 anos dentro de um banco convivendo com os mais diferentes tipos de chefes num espectro que classifico de perfeitos idiotas até gênios; de cascas-grossas até “nerds” e “yuppies”.

Mas deixando de lado os “entretantos e indo para os finalmentes”, por lá chegou uma novidade da área de recursos humanos de promover palestras motivacionais e relacionamentos e, dentre elas, houve uma que falava sobre a inocência e o pior é que o consultor conseguia ganhar muito dinheiro com aquilo.

No meio de uma dessas palestras, levantando a tese de que devemos desarmar os espíritos, para ilustrar e justificar sua tese contou-nos uma estória de uma menininha que vivia em um sítio próximo a um bosque e todos os dias ela pegava parte de sua comida e adentrava ao bosque para alimentar animais silvestres.

Aconteceu que, em um dia de festa, o sitio recebeu uma grande quantidade de pessoas e lá pelas tantas a menina ia saindo com a comida para alimentar seu “amiguinho” quando um babaca resolveu segui-la o que foi feito, também, por outras pessoas da família.

Quando chegou à mata a garotinha enfiou a mão dentro de um cupim e, após alguns instantes acariciando alguma coisa lá dentro, retirou uma enorme cascavel e começou a alimentá-la ao mesmo tempo em que conversava com ela.

Foi um espanto geral. Todo mundo achou um absurdo o perigo que ela estava correndo e chegaram à conclusão de que deveriam matar a cobra, o que foi feito imediatamente.
Resultado a menina ficou maluca, ficou sem comer e com pouco tempo faleceu.

Bem o que tem isso a ver com minha condição de observador??
Acontece que eu achei aquilo muito bonito e, como tinha alguns problemas de relacionamento entre os peões na fábrica de pregos, resolvi logo no dia seguinte reunir meus funcionários e tentar incutir nas suas cabeças o tal do hábito de desarmar os espíritos.
Quando eu acabei de contar a história e falei que a menina tinha perdido o juízo, o Meota pulou lá longe e disse:

O QUE??? FICOU DOIDA COISA NENHUMA, ELA JÁ ERA DOIDA ANTES -MEXER COM COBRA O SENHOR É DOIDO SEU FRAVO.

A gargalhada foi geral e passei um bom tempo com cara de otário e toda hora que eu entrava no pátio da indústria era uma gozação só.

A “peãozada” parava de trabalhar e ficavam só rindo.....

Isso é ou não é coisa da otário ???

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